quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

ENSAIO SOBRE UMA AMAZÔNIA DE RECORTES



Este ensaio é obra de reflexões que apresentam como principal referência o artigo “Interculturalidade, fraternidade e comunhão: referências para a sustentabilidade na Amazônia” do Professor Dr. Salomão Mufarrej Hage, graduado em Agronomia e Pedagogia, mestrado em Educação: Supervisão e Currículo. É professor do Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Pará e docente do Programa de Pós-Graduação em Educação e do Programa de Linguagens e Saberes da Amazônia. É bolsista produtividade do CNPq. Coordena o Grupo de Estudo e Pesquisa em Educação do Campo na Amazônia, Integra a Coordenação do Fórum Paraense de Educação do Campo e Coordena a Escola de Conselhos Pará: Núcleo de Formação Continuada de Conselheiros Tutelares e de Direitos da Amazônia Paraense. Na área de Educação, privilegia as seguintes temáticas: educação do campo, políticas educacionais, educação de jovens e adultos, currículo e formação de professores na Amazônia. Escreveu em 2015, “Transgressão do paradigma da (multi)Seriação como referência para construção da escola pública do campo”, pela revista educação & Sociedade.
O objetivo deste estudo é fomentar sobre as diversas propostas de Amazônia apresentadas pelo Professor Salomão Hage, a sócio-biodiversidade que renasce, aprende-ensina, ensina-aprende os rituais de sobrevivência em uma Amazônia de mimetismos, a Amazônia de recortes.
No artigo o autor apresenta reflexões sobre interculturalidade, fraternidade e comunhão, como referência para pautar a Amazônia e sua sustentabilidade ambiental, produtivo e sócio cultural. Apresenta a Amazônia conforme a delimitação e conceito territorial: biogeográfico (Bioma Amazônia), hidrográfico (Bacia amazônica) e Político-legal (Amazônia legal).
O Bioma Amazônia é a floresta tropical organizada em nove países da América do Sul: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela. A Amazônia Internacional.
A Bacia Amazônica é a maior do mundo e compreende a área da bacia do Rio Amazonas e todos os seus afluentes. Possui 7 milhões de km², onde 50% é localizado no Brasil.
A Amazônia Legal é a divisão político-administrativa brasileira. Originada em 1953 pela Superintendência do plano de valorização econômica da Amazônia (SPVEA). Possui 5 milhões de km², ou seja, metade do território brasileiro, onde fazem parte os estados do Acre, Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.
A Heterogeneidade ambiental é a Amazônia de ecossistemas, formada por áreas florestais e não-florestais, sendo a complexa biodiversidade ou 1/3 da floresta tropical defendida no planeta. Possui rica variedade biológica onde estão estocadas: madeira comercializável, plantas medicinais, aromáticas, alimentícias, corantes, oleaginosas, fibrosas, milhares de espécies vegetais e animais.
A Amazônia é o maior reservatório de água potável do mundo. Onde está localizado 20 mil quilômetros de via fluvial e rica diversidade biológica marinha. A Amazônia Azul.
O setor hídrico da Amazônia é o referencial energético que mantém a exploração e extração mineral, além de projetos de barragens responsáveis por impactos ambientais, econômicos e socioculturais que comprometem o modo de vida das populações indígenas, quilombolas, ribeirinhas e a sustentabilidade do ecossistema.
A heterogeneidade produtiva é o contexto amazônico que abriga atividades econômicas de base familiar, cooperadas e solidárias. Há, também, os processos de produção capitalista, caracterizadas por médios e grandes empreendimentos. Essa realidade é apresentada como desafio aos propósitos de orientar as referências de sociabilidade na Amazônia pela interculturalidade, fraternidade e comunhão. Esta trata da Amazônia que guarda formas contraditórias de atividade econômica, o que desenha a matriz geográfica conflitual que não considera e respeita as características contextuais da região; reforça a extração e exploração madeireira, a pecuária extensiva, o agronegócio, o hidronegócio, a pesca industrial e a exploração minerológica.
É necessário reconhecer a importância das populações amazônicas na preservação da sócio-biodiversidade, para novas dinâmicas de desenvolvimento territorial sustentável.
A heterogeneidade sócio-cultural é formada pela população urbana e as populações tradicionais rurais e camponesas, a riqueza em diversidade étnica e cultural da Amazônia, sendo os processos migratório e imigratório fundamentais para o contexto.
Em toda Amazônia o número de idiomas chega a 250 e na parte que corresponde ao Brasil há 130 línguas de variados tipos de estrutura social, tradições culturais distintas e de diferentes modos de interação com a paisagem natural, pois no Amazonas 21% da área do estado é terra indígena; no Pará, 20% e em Roraima 58%, o que representa na Amazônia uma área maior que Portugal, Espanha, Alemanha ou Belgica.
As áreas demarcadas como indígenas demostram proteger a biodiversidade, pois desenvolvem padrões discretos de ocupação e atividade econômica. Logo, as demarcações indígenas têm alto grau de ajustamento ambiental.
Os povos indígenas conquistaram o direito à demarcação e reconhecimento do território. A materialização da conquista e reconhecimento legal esbarra na arcaica burocracia estatal e nas questões fundiárias.
As populações africanas contribuem para contextualização da Amazônia intercultural, manifesta em atividades ancestrais preservados na memória e oralidade. Povos descendentes de mulheres e homens negros sequestrados do continente, África.
As populações caboclas ribeirinhas são oriundas de povos indígenas, imigrantes estrangeiros, migrantes nordestinos e populações negras. Essas populações têm na pesca atividade cultural; e a imagem que solo, floresta e rio são interdependentes.
O processo de formação cultural da Amazônia brasileira revela a formação das identidades culturais num complexo de saberes, valores e modos de vida que se modificam diante da referência advinda do colonizador. Característica que revela o hibridismo comum à formação cultural da população que enfrenta o imaginário de Amazônia selvagem que precisa ser civilizada.
A Amazônia ocasiona dois modos de agir: o primeiro, paraíso, celeiro do mundo e lutas por preservação travada por ambientalistas que falam de santuário natural. O segundo, ação colonizadora sem interesse nos impactos ecológicos e culturais resultantes da ação predatório.
A afirmação de concepções, práticas e políticas públicas que fortaleçam a interculturalidade, a fraternidade e a comunhão entre os povos, que reconheçam as populações da Amazônia como sujeito de direitos, protagonista na edificação de novos paradigmas de sociabilidade, produção, conhecimento, desenvolvimento e educação na Amazônia. Esta visão permeia relações de poder entre coletivos, populações e movimentos sociais, que contrastam a instauração da fraternidade universal e comunhão, base indispensável de justiça autentica e condição de paz.
Amazônia, cenário para forças participantes deste contexto, como: as nações originárias, grupos de pressão, ONGs associadas, ambientalistas genuínos, setores nacionalistas das forças armadas brasileira, empresas transnacionais, empresas nacionais, empresas vinculadas ao agronegócio, governos internacionais como Estados Unidos, Japão, países europeus e o próprio governo brasileiro.
A Amazônia é encruzilhada histórica e singular que pode decidir o futuro de toda nação. Os movimentos de educação promovem ações de pesquisa, intervenção, formação e militância política, assim afirma novos horizontes de sociabilidade, fraternidade e comunhão, protagonizados pela experiência de sujeitos coletivos em lutas pela terra, águas, floresta, direito ao trabalho, à educação, à saúde pública, à vida digna no campo e na cidade. Esses coletivos dinamizam uma Pedagogia do Movimento, que cultiva e fortalece esperança na construção de outro mundo possível.
As políticas públicas devem se configurar enquanto territórios de reconhecimento da diversidade sociocultural, racial, étnica, de gênero, religiosa e de fortalecimento da esfera pública, sedimentando o princípio da interculturalidade, da fraternidade e da comunhão como componentes integrantes da formação humana e protagonista na Amazônia de projetos emancipatório, soberano e sustentável de sociedade.
O avanço da “Onda conservadora” assume um posicionamento explicito em favor da consolidação de projeto de sociedade orientado pela mercantilização da vida, das políticas públicas, do imaginário social; pela exclusão social, racial, sexual, étnica, etária, territorial; e pela discriminação de classes e grupos que vivem do trabalho e produzem sua existência por meio de relações cooperadas, solidárias e coletivas. Logo, são múltiplas as situações que terminam por interditar a interculturalidade, fraternidade e a comunhão como referência para operar soberania, sustentabilidade, emancipação humana, social e cultural da Amazônia.
A mídia assume papel estratégico a favor da “Onda conservadora”, filtrando e veiculando informações, expondo apenas os fatos que criminalizam movimentos sociais, classes trabalhadoras e assim responsabiliza a jovens pobres, negros e negras pela violência no país.
A luta pela sociedade de direitos humanos e sociais garantidos, efetivados e universalizados é a linha horizontal que tem como meta a sociedade de direitos onde não haja subserviência de qualquer natureza, diferenciações sócio-histórico-político- cultural; a sócio e bio-diversidade amazônica respeitada enquanto patrimônio da humanidade; a Amazônia de transformações sóciodemográficas igualitárias onde os sujeitos individuais e coletivos tornar-se-ão empoderados pela defesa de suas riquezas identitárias.
É extensa a fala sobre Amazônia. Como realizar a liberdade necessária a sobrevivência da floresta brasileira, se não por diálogos indissociáveis à prática educativo-crítica. Essa que afirma a importância da experiência e principalmente, a consciência da experiência necessária ao saber empoderador.
A descrição de Amazônia expresso no trabalho do Professor Salomão Hage aponta características indispensáveis para construção de uma consciência de floresta social, cultural, histórica e política. É necessário compreender o conteúdo Amazônia para despertar o aprendiz que ainda existe naquele que com ela se identifica.
A mudança no contexto sócio-histórico-político-cultural da floresta depende do pensamento reflexivo-crítico; e argumentar sobre fundações de concreto e aço na liberdade das pessoas dispostas a lutar pela mudança no quadro de desrespeito vivenciado atualmente na Amazônia. Portanto, a experienciação da realidade amazônica pode despertar naquele que aprende a maturidade para ensinar ao aprender e isso tornaria possível a floresta amazônica para os habitantes da floresta amazônica.
A luta por liberdade é sacrifício e realização, configurada na nova liberdade construída no contexto da luta.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários à prática educativa. São Pulo: Paz e Terra, 1996. p. 23-28
HAGE, Salomão Muffarej. Interculturalidade, fraternidade e comunhão: referências para sustentabilidade na Amazônia. In: XVII Congresso Eucaristico Nacional: simpósio sobre a Amazônia. Belém (PA): Agos, 2016

20 comentários:

  1. Realmente falar sobre a Amazônia é algo complexo como a própria floresta. Mas acredito ser necessário abrir a mente das pessoas para essa riqueza, que não é só nossa. Muito bom seu post. Abs

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  2. A Amazônia é a maior floresta, temos que ver a Amazônia não o que ela pode trazer em riquezas, mas sim olhar que ela é importante para todos, muitos infelizmente só querem destruir a floresta por dinheiro, mas se esquece que ela tem muito valor, lá há várias espécies de árvores, lá está a cura de doenças. Temos que respeitar a Amazônia, abraços.

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  3. A Floresta Amazônica é considerada o pulmão do mundo,ela é muito importante para todos nós,que as pessoas se concientisem para cuidar e preservar.Bjss

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  4. Parabéns amado pelo post! a Floresta Amazônica é muito importante para o planeta! mais as pessoas não estão ligando ! é uma pena! já estamos sentindo o efeito! temos que respeitar a Amazônica pois ela é o plumão do mundo, beijinhossssssssssss

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  5. Excelente post, a amazônia é imensa e tão rica, mas tem gente que só ver a riqueza material que ela pode trazer e esquece da biodiversidade que ela tem, sempre bom incentivar as pessoas com posts como o seu.

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  6. Simplesmente perfeita a descrição do Professor Salomão Hage, eu lendo esse post vi que conheço muito pouco sobre uma das nossas maiores riquezas.

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  7. Oi.
    Um ótimo texto falando sobre esse paraíso na Terra, a Amazônia.
    É uma pena que as pessoas estejam destruindo algo tão importante para a vida na Terra.
    Abrçs

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  8. A Amazônia é linda e rica,os governos não só do Brasil mas dos outros países que ela abrange,deveriam levar a sério sua proteção e preservação,pois a cada dia que passa ela está sendo devastada um pouco mais.Antes que seja tarde,é preciso que aja uma conscientização,não só dos governos,como também da população,da grande importância de preservação da Amazônia e de seu ecossistema.Beijos.

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  9. Oi Myke!
    Não conheço mas imagino...esse nosso pulmão verde que me encheu de curiosidade quando no curso primário as professoras falavam das enormes cobras jiboias, de regiões da mata tão fechadas que não se via o céu. A Amazônia passou a fazer parte do meu imaginário...me entristece saber da destruição que vem sofrendo essa região tão peculiar e rica nas suas diversidades. Belo texto!
    Abraços!

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  10. Tudo nesse nosso mundo é tão complexo, mas nada mais complexo do que a ganância, que visa apenas lucros sem dar-se conta de que tudo isso num futuro próximo pode e com certeza irá virar-se contra nós mesmo ... Conscientizar os jovens acho que é um dos passos mais importantes, lembro que na minha época se aprendia que na amazônia era lugar de índios, vegetação, e bichos, pouco s falava da grande importância em nossa vida ... Gostei do texto!
    Minda
    Bjs ❤

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  11. Ahhhh adorei o post. A Amazônia é a a maior floresta e Grendene parte dá população não sabe o quanto q ela é importante para nossa vida. Parabéns pelo texto!

    Um beeijo

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  12. Gostei da exposição e a verdade que nós temos que colocar os olhos para a Amazônia com mais atitude e pouco bla bla, pois leio e ouço falarem muito sobre o seu desmatamento crescente, mas sempre fica nisso, atitude, ação para que isso termine ou pelo menos diminua, sinceramente não vejo nada
    Gostei do texto

    Abraços
    Rafael

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  13. Eu amo a natureza e não me conformo com a ganância das pessoas
    Que São capazes de passar por cima de tudo por dinheiro é poder, a Amazônia vem sofrendo por isso! Muito triste!
    bjus

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  14. Sou louca para conhecer a amazonia.. maior floresta do mundo o seu pulmão do mundo devemos proteger para nós vivemos muitos anos.. bjs e sucesso!

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  15. Post muito interessante,pois a Amazônia é de todo povo brasileiro e devemos a ela proteger.Não é a toa que é o pulmão do mundo e deve ser preservada.Parabéns pelo post,muito bem escrito.Bjssssss

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  16. que linda postagem amiga nossa riqueza natural adorei

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  17. Valorizar nossas riquezas naturais é algo que infelizmente ainda precisamos aprender tanto quanto cuidar da natureza,porque nosso futuro depende disso.Gostei muito do post.bjus.

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  18. Belíssimo post Maick ! Realmente a Amazônia é linda e deve ser preservada ,no lado brasileiro creio que já foi muito devastada e é necessário que lutemos para a preservação do PULMÃO DO MUNDO! Parabéns.

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  19. As pessoas não tem noção da importância da Amazônia em suas vidas! O ser humano destrói aquilo que deveria ser cultivado e preservado! É uma pena. Parabéns pelo seu post! Ele é muito importante para a conscientização sobre preservação e sustentabilidade.

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  20. Parabéns! Muito intenso e verdadeiro o seu post. Temos uma riqueza imensurável, e não nos damos conta de tudo isso pode não existir mais, num futuro próximo.
    Abraços

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