sábado, 16 de julho de 2016

Contracultura: o futuro repetir o passado é o museu sem grandes novidades


Todos os dias crianças vão à escola para copiar conteúdos pautados em materiais historicamente sistematizados, para depois reproduzir esses conteúdos no decorrer de sua vida ou simplesmente na hora da prova. Quando apresentados as crianças, são usados como referência monumentos simbólicos que estão espalhados pelo espaço urbano; deve-se dominar, também, os fatores que o levaram a estar ali. Quais os motivos de sua construção, produção ou até os motivos de sua permanência no local.
Um fato interessante deste dantesco problema são os espaços físicos das escolas, mais especificamente seus nomes, como: Deodoro de Mendonça, Marechal Hermes, Almirante Barroso. Até que ponto as crianças conhecem a história dos personagens que deram nomes as suas escolas e a maioria das escolas do país.
Todos são passivos ao contexto histórico dominante e a escola é a lapidadora social dessa realidade. Segundo Santos Filho (2007), os monumentos históricos e obras de arte dependem da contextualização histórica sob a qual foi construída, para que assim possa resistir ao tempo.
O período da ditadura militar foi o momento de maior abrangência desses monumentos e nomes simbólicos que fazem parte da atual realidade. Santos Filho (2007), diz que os 25 anos de fascismo vividos no Brasil acabaram resultando em um processo de negação histórica ou total desconhecimento da história nacional.
Esse estado de negação causado pelo período militar manifesta-se hoje nas escolas, mais claramente nos jovens que a frequentam e que por negarem seu contexto cultural histórico compartilham entre si à experiência de novas culturas, de novas realidades onde possam manifestar-se enquanto seres sócio-histórico-culturais que são. Para Pereira e Santos (1985) cultura é uma ação acidental, existente no momento histórico em que subsistem como produto dos homens na defesa de sua liberdade de pensar, agir e sentir.
No mundo atual ou melhor dizendo, na era da informação os jovens são livre para atuar no mundo como mediadores das diferentes culturas existentes no mundo, o constante estado de transformação pelo qual as crianças e jovens passam até chegar a idade adulta é cheio de infortúnios. Quando se pensa em juventude, muitos pensam em problemas já que os jovens negam os valores culturais e morais impostos e se manifestam em tudo que é diferente, promovem segundo Pereira (1985), dessa forma um contexto de contracultura ou cultura marginal que  independe dos conceitos morais impostos pela família ou qualquer outra instituição que o reprima .
Com uma juventude que surge com o seu tempo e vive esse momento; a escola precisa segundo Castro (2006, p.37) “ser repensada: sua estrutura, gestão, seu funcionamento, currículo; e isso, não somente para acompanhar mudanças, mas para não deixar escapar a função educativa da escola, assegurando a formação geral do educando”.
Essa reorganização da escola ainda segundo Castro (2006), é necessário que a escola possa construir uma identidade solida e com a participação das pessoas que a compõem, que resulte na sua autonomia que é exercitada nos objetivos que a direcionam.
É preciso repensar o currículo e suas finalidades para que a escola caminhe em conjunto com os processos de revolução cultural (CASTRO, 2006).
Compreender como acontece o processo de transformação cultural nos lança em direção a uma conceitualização do que viria a ser essa manifestação humana tão incrível que é a Cultura. Para Trindade (2002) cultura é um processo dinâmico que acompanha os indivíduos em sua historicidade e se expande nas mais diferentes formas de produção artística.
Existem na história das sociedades os processos colonialistas que alimentam a formação dos conjuntos populacionais culturais, ou seja, a classe dominante acredita ser a única possível produtora de cultura, reprimindo dessa forma as massas populacionais. Uma classe de desnecessários que ficam de fora dos planos de divisão econômica, excluída das oportunidades de emprego (TRINDADE, 2002).
Com todo esse emaranhado de processos de formação cultural surge nos Estados Unidos da América o movimento de Multiculturalismo que segundo Brandim e Silva (2008) é um movimento teórico iniciado em meados do século XX e difundido no ocidente combatendo discriminações e preconceitos, principalmente de caráter étnico-cultural e tem como representante a chamada globalização econômica.
Trabalhar os currículos escolares no mundo globalizado tem surgido de modo cada vez mais complexo para a sociedade, pois o universo da criança se origina em casa, passa pelo caminho que leva até a escola e nela, a escola, se marginaliza e marginaliza todo o conhecimento que a criança trás consigo; configura de modo irredutível a ação do cotidiano que a escola não consegue acompanhar. O professor deve de todas as formas possíveis compreender seu trabalho com a escola como algo indissociável a sua vida cotidiana, compondo sucessivas possibilidades de ação educativa (CASTRO, 2006).
A escola deve acompanhar em parceria com a família as mudanças do cotidiano para dessa forma não perder de vista o ponto mais importante, o aluno. A história nos auxilia com um conjunto de conhecimentos que provam que não se deve lutar de forma impositiva contra o futuro, o multiculturalismo surge hoje como mecanismo de projeção contracultural que se manifesta de forma radical (PEREIRA, 1985).


Referência Bibliográfica

MRDRUNKKOALA. O que é Arte? Para que serve? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VzBk-lwoIHY. Acesso em: 09 Jul. 2016.

NETO, Julian. Mário Sérgio Cortella: Qual é o papel da escola? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=n97RXpgXJ40. Acesso em: 09 Jul. 2016.

NETO, Julian. Viviani Mosé: A crise da Arte. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=plZhcbJLVRk. Acesso em: 09 Jul. 2016.

PENIN, Sonia Teresinha de Sousa. Didática e cultura: O ensino comprometido com o social e a contemporaneidade In: CASTRO, Amelia Domingues de; CARVALHO, Anna Maria Pessoa de (orgs). Ensinar a ensinar. Didática para a Escola Fundamental e média. São Paulo: Thomson Learning, 2006. (p. 33 a 52).

PEREIRA, Carlos Alberto M. O que é Contracultura. São Paulo: Círculo do Livro, 1985.

SANTOS FILHO, João dos. O espaço urbano e a cultura da resistência. In: CIÊNCIA & VIDA. Sociologia especial: As cidades e a sociedade. Escala: Ano I. Nº 1. Pág. 52 – 57. 2007.

TRINDADE, Azoilda L. da. Cultura, diversidade cultural e Educação In: TRINDADE, Azoilda L. da. Multiculturalismo mil e uma faces da escola. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. (p. 17 a p. 32).

TORRES, Henderson Cristiano. Arte ou artesanato? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ONyBZuQ7xb0. Acesso em: 09 Jul. 2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário