quinta-feira, 30 de junho de 2016

Arte. O que é?


Para ter algo parecido com a compreensão do que pode ser arte tive de ser apresentado ao ponto de vista que classifica os objetos de arte. A crítica. Essa que julga objetos artísticos com critérios de apreciação da obra-prima, aquele objeto artístico que anteriormente avaliava a aprendizagem do ofício e a competência de seu autor.
O crítico de arte dá estatuto de arte a obra não apenas por domínio técnico, o discurso possui outros critérios que possibilitam, também o estatuto de arte. Por exemplo, perceber no objeto artístico características de época ou enuncias culturais, entre outros critérios. Segundo as palavras de Coli (2007, p. 22), com evidências "colhidas ao acaso, já podemos chegar a constatação deprimente: a autoridade institucional do discurso competente é forte, mas inconstante e contraditória, e não permite segurança no interior do universo das artes".
Os objetos artísticos existem na subjetividade que lhe concede o estatuto de arte, dado que tem por critério o momento onde está apresentado. Por exemplo, para os críticos da década de 80, Chico Buarque, Maria Bethânia e Caetano Veloso foram o pilar de seu momento histórico e a máxima da música popular brasileira, assim como o Rock da década de 80, muito criticado, hoje, causa nostalgia se comparado ao Funk carioca. Logo, o crítico de Arte precisa está aberto ao tempo em que vive e não aprisionado ao tempo que viveu ou seu próprio gosto, pois o objeto artístico precisa existir com independência, a rigor ou a caráter da crítica.
A construção do objeto artístico apropria-se de esquema próprio da aproximação da própria arte, mas que comumente são orientadas por um rigor científico que possa garantir objetividade passiva de análise, tendo em vista que o objeto com estatuto de arte não busca causar conclusões, mas sim, as insinuar. Coli (2007), nos remete que:
A ideia de critério surge como sistematização perturbadora para produção do objeto artístico e, por fim, a aproximação da própria arte, fazendo parecer que os discursos sobre artes são acompanhadas pelo desanimo do rigor científico que lhes sufoca com objetividades que possam lhes garantir conclusão.
O objeto artístico necessita de liberdade não apenas criadora, mas também de interpretação. Um objeto de arte, por exemplo, exposto ao público e observado por dez mil pessoas veste-se de dez mil interpretações, daí, se observada sobre critérios científicos aprisionar-se-á a conclusão sólida que não admitirá para o objeto artístico interpretações lúdicas das gerações futuras, apenas novos critérios científicos.
Para fugir ao rigor científico temos a ideia de estilo que é o mimetismo do formal com a subjetividade do artista, expresso no interior do objeto de arte, o que permite o mesmo criador apropriar-se dos diversos estilos e desenvolver uma série de tendências estilísticas, o que segundo Coli (2007), são as "fases" distintas do artista, permitindo a constituição de autores unicamente a partir das obras.
A ideia de estilo se modifica em conjunto com o tempo do artista, mas ainda é tratada de modo suficiente e formal, complicando ainda mais o quadro das artes em sua significação. O objeto artístico surge de forma inesperada e pouco previsível, sendo produto que nos escapa no tempo e no espaço que se apresenta. Por exemplo, o artista plástico paraense Tadeu Lobato, quem poderia explicar seus desenhos e pinturas de expressão tão infantil, mas que possuem educação não apenas artística, mas filosófica, envolta em curiosidade pela essência humana, ou mesmo, quem explicaria os graffitis que há décadas ilustram o mundo e atualmente faz-se presente na realidade da cidade Belém.
O objeto artístico possui não apenas propostas de subjetividade do artista ou exteriorizações do formalismo academicista voltado à expressão do presente, mas como tudo que se manifesta publicamente assume estatuto histórico. Assume identidade própria estabelecendo relações com outros tempos e espaços, organizando o repertório histórico-cultural, logo levanta questões sobre o presente e o passado.
O historiador de arte deve desviar-se de avaliações que manifestem interesses pessoais, mas Coli (2007, p. 37), no apresenta o fato que "o historiador da arte não consegue evitar inteiramente  os critérios seletivos, pois o conjunto de objetos que estuda supõe escolha. A compreensão, a suspensão do julgamento denota o desejo de rigor, próximo da ciência".
Pensar um conceito para arte necessita conhecer e respeitar o modo de vida de diferentes grupos culturais, em diversos tempos e espaços, em suas manifestações culturais, econômicas, políticas e sociais, reconhecendo semelhanças e diferenças entre eles e o artista, que é manifesto na experiência técnica ou sobre o objeto artístico construído. Seu rigor cabe à competência de quem lhe dá estatuto de arte, portanto há necessidade do manuseio de artifícios de caráter sócio-histórico-cultural, além da formalidade, não-formalidade ou informalidade estética expressa pelo artista. A Arte é um conceito em constante desleitura.


REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

COLI, Jorge. O que é Arte. São Paulo: Brasiliense, 2007



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